sábado, 3 de abril de 2010

Lira dos vinte anos

São os primeiros cantos de um pobre poeta. Desculpai-os. As primeiras vozes do sabiá não têm

a doçura dos seus cânticos de amor.

É uma lira, mas sem cordas; uma primavera, mas sem flores; uma coroa de folhas, mas sem

viço.

Cantos espontâneos do coração, vibrações doridas da lira interna que agitava um sonho, notas

que o vento levou - como isso dou a lume essas harmonias.

São as páginas despedaçadas de um livro não lido...

E agora que despi a minha musa saudosa dos véus do mistério do meu amor e da minha solidão,

agora que ela vai seminua e tímida, por entre vós, derramar em vossas almas os últimos

perfumes de seu coração, ó meus amigos, recebei-a no peito e amai-a como o consolo, que foi,

de uma alma esperançosa, que depunha fé na poesia e no amor - esses dois raios luminosos do

coração de Deus.

Álvares de Azevedo

Os poemas abaixo são trechos de uma das obras mais importantes desse poeta romântico, a "Lira dos vinte anos".

Nenhum comentário:

Postar um comentário